Piteco – Fogo – Eduardo Ferigato

Sinopse Oficial: Lem é atacada por uma tribo desconhecida e poderosa. Quase todo o povo da aldeia é escravizado. Inclusive Piteco, que luta para não perder o que de mais valioso conquistou. Em Fogo, Eduardo Ferigato insere o homem das cavernas criado por Mauricio de Sousa em uma aventura repleta de misticismo, ação, intrigas, descobertas e ensinamentos.

Temos aqui a volta do personagem Piteco, que já teve sua primeira edição pelo selo Graphic MSP em 2013 pelas mãos habilidosas de Shiko (Lavagem e Três Buracos), contando a história em volta da pedra do Ingá, e agora nos apresenta as “primeiras” relações do homem primitivo com o Fogo e todo misticismo que o cerca.

Mas antes, vamos a uma rápida pesquisa sobre a história do Fogo.

O fogo foi a maior conquista do ser humano na pré-história. A partir desta conquista o homem aprendeu a utilizar a força do fogo em seu proveito, extraindo a energia dos materiais da natureza ou moldando a natureza em seu benefício. O fogo serviu como proteção aos primeiros hominídeos, afastando os predadores. Depois, o fogo começou a ser empregado na caça, usando tochas rudimentares para assustar a presa, encurralando-a. Foram inventados vários tipos de tochas, utilizando diversas madeiras e vários óleos vegetais e animais. No inverno e em épocas gélidas, o fogo protegeu o ser humano do frio mortal. O ser humano pré-histórico também aprendeu a cozinhar os alimentos em fogueiras, tornando-os mais saborosos e saudáveis, pois o calor matava muitas bactérias existentes na carne.

O fogo também foi o maior responsável pela sobrevivência do ser humano e pelo grau de desenvolvimento da humanidade, apesar de que, durante muitos períodos da história, o fogo foi usado no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva.

Na antiguidade o fogo era visto como uma das partes fundamentais que formariam a matéria. Na Idade Média, os alquimistas acreditavam que o fogo tinha propriedades de transformação da matéria alterando determinadas propriedades químicas das substâncias, como a transformação de um minério sem valor em ouro.

O Homem no controle
A capacidade de controle de fogo foi uma mudança dramática nos hábitos dos primeiros seres humanos. Fazer fogo para gerar calor e luz tornou possível às pessoas cozinhar alimentos, aumentando a variedade e disponibilidade de nutrientes. O calor produzido também ajudou as pessoas a manterem-se aquecidas no frio, permitindo-lhes sobreviver em climas mais frios.

O fogo também manteve predadores noturnos afastados. Evidências de comida cozida são encontradas a partir de 1,9 milhões de anos atrás, embora o fogo provavelmente não foi utilizado de forma controlada até há um milhão de anos. As evidências tornam-se generalizadas cerca de 50 a 100 mil anos atrás, sugerindo o uso regular a partir deste momento. Curiosamente, a resistência à poluição atmosférica começou a evoluir nas populações humanas na mesma época. O uso do fogo tornou-se progressivamente mais sofisticado, com a sua utilização para produzir carvão e controlar a vida selvagem desde dezenas de milhares de anos atrás.

Existem inúmeras aplicações modernas de fogo. Em seu sentido mais amplo, o fogo é usado por quase todo o ser humano na terra em um ambiente controlado todos os dias. Os usuários de veículos de combustão interna empregam fogo cada vez que eles dirigem. Usinas termoelétricas fornecem eletricidade para uma grande porcentagem da humanidade.

Feita nossa palestrinha histórica, vamos voltar a edição de Piteco.
A 23ª edição do selo de graphic novels da Mauricio de Sousa Produções se encaixa nesta coleção dentro de sua média: arte primorosa, tema relevante, mas a história tem menos camadas que outras edições, como Jeremias – Pele, Chico Bento – Arvorada ou mesmo Cebolinha – Recuperação. Fogo está mais relacionada com a ação, como as edições de Astronauta (Magnetar, Assimetria, Singularidade e Entropia), por exemplo.

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A arte e cores mostram uma tremenda evolução a cada edição, não só pela escolha dos artistas como nas técnicas e padrão final. Nesta edição estão irretocáveis.

Eduardo Ferigato para mim é um dos ótimos artistas brasileiros em atividade no momento. Além das participações nas edições do coletivo Quad (com outros três feras nacionais), minha edição predileta é Opala 76. Uma história que poderia tranquilamente virar um filme. Senti falta de um pouco mais de roteiro nesta edição, um pouco acelerada em alguns momentos, caraterística que tenho notado em algumas edições do selo, principalmente nas que possuem temas de aventura. Acredito que não por falha, mas por que deve ser tão bacana trabalhar com estes personagens, que o número limitado de páginas acaba limitando um pouco as ideias.

Enfim, é uma edição que recomendamos mesmo que você não seja colecionador. Se gostou da proposta da edição, veja abaixo o link para compra direta:

https://www.amazon.com.br/Graphic-Msp-Piteco-Eduardo-Ferigato/dp/8542621417

Piteco – Fogo (Brasil, junho de 2019)
Graphic MSP #23
Roteiro: Eduardo Ferigato
Arte: Eduardo Ferigato
Cores: Marcelo Costa, Mariana Calil
Letras: Diego Sanches
Editora: Panini Comics, Graphic MSP, Mauricio de Sousa Editora
Páginas: 98



Fabio Camatari Escrito por:

Dinheiro não traz felicidade... mas compra quadrinhos, que é quase a mesma coisa!