O Eternauta 1969 – Oesterheld & Breccia

Sinopse Oficial: Influenciado por A Guerra dos Mundos de H.G. Wells, Héctor Germán Oesterheld publica, entre 1957 e 1959, O Eternauta. Nesse clássico dos quadrinhos mundiais, originalmente ilustrado por Francisco Solano López, acompanhamos a invasão de Buenos Aires por uma raça extraterrestre conhecida como “Eles”. Ao longo da trama, repleta de reviravoltas e personagens incríveis, o protagonista Juan Salvo resiste a alienígenas, viaja no tempo e, apesar de si mesmo, se torna o legatário final de toda a humanidade.

Dez anos depois, em 1969, à convite da revista Gente, Oesterheld se debruça novamente sobre seu magnum opus e nos oferece um remake abrangente. Os desenhos desta nova versão ficam a cargo do uruguaio Alberto Breccia, com quem Oesterheld havia colaborado em outras obras, como Mort Cinder e Sherlock Time. O autor não apenas muda a história em detalhes, dando a ela um tom político mais acentuado, como o estilo surreal de colagem de Alberto Breccia cria um mundo totalmente novo, mais sombrio e distópico. O Eternauta 1969 não é apenas uma grande obra de ficção científica, é um documento contemporâneo de alta tensão da esquerda argentina do final dos anos 1960, finalmente publicado no Brasil pela editora Comix Zone.

A história começa com a visita de um homem vindo do futuro à casa de um quadrinista (alter ego do próprio Oesterheld). Este homem, Juan Salvo, narra a história dos estranhos eventos pelos quais passou.

Uma nevasca mortífera cai sobre Buenos Aires e região metropolitana, eliminando toda a vida em poucas horas. Juan Salvo, junto com alguns amigos (Favalli, Lucas e Polski) com os quais estava jogando truco, sua esposa e sua filha ficam a salvo, graças à proteção da casa de Salvo e à engenhosidade de Favalli. Eles se organizam para sobreviver ao fenômeno, confeccionando roupas especiais para poderem sair de casa e coletar provisões. Em uma destas viagens, encontram Pablo, um garoto de doze anos, e percebem que os sobreviventes desesperados podem ser uma ameaça tão grande quanto a própria neve.

Dias depois do início da nevasca, eles descobrem que o fenômeno foi provocado por uma invasão alienígena à Terra. São recrutados por uma força de resistência para combater os invasores. Durante este tempo, Salvo conhece e faz amizade com alguns de seus companheiros ,como Franco, torneiro mecânico, e Mosca, jornalista. Enquanto os insurgentes marcham em direção a capital do país, eles lutam em diversas ocasiões contra insetos gigantes (cascarudos, “besouros”); uma espécie humanóide com muito mais dedos do que os seres humanos, especialmente em suas mãos direitas (Manos, “Mãos”); feras gigantes capazes de derrubar prédios (“Gurbos”), e outros homens que foram capturados e alterados (hombres-robot, “homens-robô”). Todos estes seres são peões, controlados remotamente através de implantes ou dispositivos de medo pelos verdadeiros invasores, los Ellos (“Eles”), criaturas sobrenaturais que permanecem ocultas, controlando tudo à distância.

Depois de conseguir algumas vitórias, as forças de resistência são emboscadas e reduzidas a alguns homens. Juan Salvo decide voltar para sua esposa e filha a se esconder com eles. Um míssil intercontinental passando convence Favalli e Franco que uma guerra global maior está começando, e que eles não podem voltar de mãos vazias. Salvo relutantemente concorda em se juntar a eles. Depois que o trio ataca o QG dos alienígenas em Buenos Aires, derrubando o “campo anti-armas nucleares”, eles fogem. Buenos Aires é arrasada por uma ogiva nuclear.

Aos poucos, os alienígenas atraem os bolsões de sobreviventes em todo o país para “zonas livres de neve” como parte de um ardil elaborado. O grupo de Salvo se divide, e ele tenta fugir com a mulher e a filha utilizando uma das naves alienígenas. Ele acidentalmente desencadeia um dispositivo de viagem no tempo na nave. Como resultado, os três se perdem em dimensões de tempo separadas, conhecidos como “contínuos”. Juan Salvo começa a viajar no tempo em busca deles, sendo chamado de Eternauta, um viajante da eternidade.

O traço mais destacado da obra por quadrinistas e jornalistas especializados é a amplitude de informações sutis, referências veladas e outras interpretações que poderiam ser feitas dela. O próprio Oesterheld, por exemplo, indica que em O Eternauta o protagonismo é sempre de um grupo de pessoas, às vezes menor, às vezes maior, formando assim um “herói coletivo” ou “herói em grupo”, o qual valorizava mais que um herói individual.

O comentário mais frequente assinala nos invasores e em seus métodos referências veladas aos golpes de estado em que vivia o país. Neste sentido, vale assinalar que as três versões escritas por Oesterheld (a primeira, o remake de Breccia e a segunda) coincidiram com os governos de Pedro Eugenio Aramburu, Juan Carlos Onganía e do Processo de Reorganização Nacional respectivamente.

Também foi observado que, excetuando-se ” los Ellos”- que são mencionados mas não aparecem em nenhum momento- nenhum dos invasores é realmente mau; são seres forçados a cumprirem ordens de outros. Críticos veem nisso um ataque de Oesterheld à guerra, ou uma alegoria à luta de classes.

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Capa dura: 64 páginas
Editora: Comix Zone (10 de outubro de 2019)
Dimensões: 29,2 x 21,4 x 1,2 cm



Fabio Camatari Escrito por:

Dinheiro não traz felicidade... mas compra quadrinhos, que é quase a mesma coisa!